O que esperar da cirurgia de catarata: antes, durante e depois

Março de 2026
15 min de leitura
Dr. Augusto Legnani — cirurgia de catarata no OFTA VITTA Umuarama

Já vi essa cena muitas vezes no consultório. O paciente entra com o celular cheio de anotações — dúvidas que pesquisou na véspera, perguntas que não sabe se são "bobas demais para fazer". Às vezes, nem pergunta. Sai com a indicação cirúrgica na mão e com o medo quieto no peito.

A cirurgia de catarata é o procedimento oftalmológico mais realizado no mundo. É segura, tecnicamente avançada e tem taxa de sucesso superior a 95% quando bem indicada e executada. Mas isso não elimina a ansiedade de quem vai passar por ela pela primeira vez.

Este artigo não é um manual técnico. É o que eu explico para os meus pacientes quando quero que eles cheguem ao centro cirúrgico informados — sem surpresas desnecessárias, sem expectativas distorcidas e sem aquelas dúvidas que ficaram sem resposta.

"Exame bem-feito, tecnologia usada com critério e comunicação transparente." Esse é o princípio que orienta minha prática. A consulta começa muito antes da sala cirúrgica.

A fase pré-operatória — o que acontece nas semanas antes

Os exames que definem o planejamento cirúrgico

Antes de qualquer cirurgia de catarata no OFTA VITTA, realizamos uma bateria de exames que não é protocolo genérico — é planejamento individualizado. Cada exame responde uma pergunta clínica específica.

  • Biometria óptica (ARGOS): mede o comprimento axial do olho com interferometria de coerência óptica. É com base nesses dados que calculamos a potência da lente intraocular (LIO). Utilizamos a fórmula Barrett True-AL, que reduz o erro de predição especialmente em olhos fora do padrão anatômico.
  • Pentacam (tomografia de córnea): avalia curvatura, espessura e elevação da córnea em múltiplos planos. Indispensável para identificar ceratocone subclínico e para o planejamento de lentes tóricas.
  • OPD-Scan III: analisa aberrações ópticas totais do olho. Influencia diretamente na escolha entre lente monofocal, tórica, EDOF ou trifocal conforme o perfil óptico e o estilo de vida do paciente.
  • Microscopia especular: conta e avalia as células endoteliais da córnea. Endotélio comprometido aumenta o risco de descompensação corneana pós-operatória.
  • Mapeamento de retina e OCT: excluem causas de baixa visual que a cirurgia de catarata não vai corrigir — degeneração macular, membrana epirretiniana, edema macular.

Quer entender melhor as opções de lentes intraoculares disponíveis? Veja o artigo completo sobre tipos de LIO.

Todos esses exames são realizados no OFTA VITTA antes de qualquer decisão cirúrgica.

Conheça o protocolo completo de avaliação pré-operatória.

O que o paciente precisa fazer antes

Na semana anterior à cirurgia:

  • Lentes de contato: suspender com antecedência mínima de 5 a 7 dias (gelatinosas) ou 2 a 4 semanas (rígidas).
  • Medicamentos: informar ao médico o uso de anticoagulantes, tamsulosina e outros alfabloqueadores. Não suspender nada por conta própria.
  • Colírios pré-operatórios: prescritos com antecedência para reduzir a carga bacteriana. Siga exatamente o que foi prescrito.
  • Dia da cirurgia: jejum de 4 horas para líquidos claros e 8 horas para sólidos. Trazer acompanhante. Roupas confortáveis, sem maquiagem ou perfume.

O dia da cirurgia — da chegada ao centro cirúrgico até ir para casa

Da recepção ao centro cirúrgico

Ao chegar, você passa por um processo de preparo que leva entre 30 e 60 minutos antes de entrar na sala cirúrgica:

  • Dilatação pupilar: colírios midriáticos instilados em série.
  • Antissepsia: limpeza periocular com iodopovidona a 5% — um dos gestos mais importantes para prevenção de endoftalmite.
  • Marcação e conferência: confirmação verbal do olho a ser operado. Protocolo de segurança cirúrgica.
  • Anestesia: na quase totalidade dos casos, anestesia tópica com colírio — sem injeção. Sedação leve intravenosa pode ser associada por indicação médica.

O que o paciente sente durante

Luz: você vai ver uma luz muito intensa, eventualmente com variações de cor. É o microscópio cirúrgico e o iluminador intraocular. Esperado, não é sinal de problema.

Pressão: a sensação de pressão no olho é comum e normal. Não é dor. Se houver desconforto significativo, comunique à equipe — sem se mover.

Sons: o equipamento de facoemulsificação faz barulho característico durante a fragmentação do cristalino. Não se assuste.

A facoemulsificação propriamente dita dura em média 10 a 20 minutos. O tempo total na sala, incluindo preparo e implante da lente, é maior — mas o momento crítico é curto.

Alta no mesmo dia

A cirurgia de catarata é ambulatorial. Você recebe alta algumas horas após o procedimento com: protetor ocular, colírios prescritos com esquema detalhado, orientações escritas sobre restrições e sinais de alerta, e data do primeiro retorno — geralmente 24 a 48 horas depois.

A recuperação — o que esperar semana a semana

Primeiras 24 a 48 horas

A visão raramente está perfeita no dia seguinte. Isso não significa que algo deu errado.

  • Visão embaçada: resultado do edema corneano residual e da dilatação pupilar ainda presente. Resolve em horas a poucos dias.
  • Sensação de corpo estranho, lacrimejamento, fotofobia leve: esperados. A incisão corneal é pequena (2,2 a 2,8 mm), mas existe.
  • Leve vermelhidão: hemorragia subconjuntival discreta é comum e se resolve espontaneamente.

Sinais que exigem retorno imediato:

  • • Dor intensa (não sensação de pressão — dor)
  • • Perda súbita de visão ou piora abrupta
  • • Secreção purulenta ou amarelada
  • • Vermelhidão intensa e progressiva
  • • Náusea ou vômito associados a dor ocular

Endoftalmite pós-operatória é rara (0,03–0,05%), mas é uma emergência oftalmológica. Em caso de dúvida, retorne.

Primeira semana

  • Colírios: o esquema padrão combina antibiótico tópico e anti-inflamatório. Os horários importam — não pule doses.
  • Restrições: proibido mergulho e contato do olho com água não estéril por 4 semanas. Proibido esfregar os olhos. Proibido maquiagem periocular por 2 semanas.
  • Dirigir: depende da acuidade visual — o médico libera no retorno após avaliar cada caso.
  • Atividade física: caminhada liberada precocemente. Musculação e esportes de contato aguardam 4 semanas.

Primeiro ao terceiro mês

  • Estabilização refrativa: a prescrição definitiva de óculos só é feita após 30 a 45 dias. Não faça óculos antes.
  • Halos e glare noturnos: especialmente com lentes multifocais e EDOF, fazem parte da neuroadaptação. O processo leva semanas a meses.
  • Opacificação da cápsula posterior (OCP): ocorre em até 30% dos casos. Tratamento ambulatorial com laser YAG — indolor e rápido.

Perguntas que os pacientes têm mas raramente fazem no consultório

  • "E se eu piscar durante a cirurgia?" — o blefarostato mantém o olho aberto durante o procedimento. Você não precisa se preocupar em piscar.
  • "Posso sentir dor?" — com anestesia tópica adequada, dor não é esperada. Pressão, sim. Se houver dor, comunique imediatamente.
  • "E se a lente se mover depois?" — deslocamento tardio de LIO é raro. As lentes modernas têm hápticos projetados para fixação estável.
  • "Opero os dois olhos no mesmo dia?" — não é prática padrão. O intervalo típico é de 7 a 15 dias.
  • "Quanto tempo até enxergar bem?" — com monofocal, 1 a 2 semanas. Com trifocal ou EDOF, a neuroadaptação pode levar 4 a 12 semanas.

Quando procurar o médico antes do retorno agendado

Retorne sem esperar

  • • Dor ocular intensa ou progressiva
  • • Piora súbita da visão após melhora
  • • Aumento súbito de manchas ou floaters
  • • Fotopsia intensa e nova
  • • Secreção purulenta ou amarelada
  • • Vermelhidão intensa com olho fechado

Mencione no próximo agendamento

  • • Sensação de corpo estranho que melhora
  • • Halo ao redor de luzes que melhora
  • • Visão levemente diferente entre os olhos

Informação não substitui a consulta — mas elimina o medo desnecessário

A cirurgia de catarata é, tecnicamente, um dos procedimentos mais seguros e bem documentados da medicina. O que transforma um bom resultado técnico em uma boa experiência para o paciente é a combinação de planejamento rigoroso, comunicação transparente e um pós-operatório bem conduzido.

Se você tem indicação cirúrgica e ainda tem dúvidas sobre qual lente faz sentido para o seu estilo de vida, ou sobre como é feito o planejamento no OFTA VITTA, a consulta começa exatamente por essa conversa.

Veja também: Perguntas frequentes sobre oftalmologia.

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Perguntas frequentes

Sobre o autor

Dr. Augusto Legnani Neto — Oftalmologista (CRM-PR 18.987 | RQE 14.692). Especialista em cirurgia de catarata, cirurgia refrativa e neuro-oftalmologia. Fundador do OFTA VITTA Hospital Oftalmológico e do Instituto OFTA (Umuarama, PR). Professor do curso de Medicina da UNIPAR. Preceptor de residência médica em Oftalmologia.

Este artigo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui a avaliação clínica individualizada.

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